Sobre a obra
Esta gravura assinada “Santa Ceia”, de Antônio Poteiro, apresentada nas dimensões de 80 × 70 cm e pertencente à edição numerada 61/100, revela a capacidade do artista de reinterpretar um dos temas mais recorrentes da tradição iconográfica ocidental sob a ótica da arte popular brasileira.
A composição organiza-se em dois campos narrativos principais. No plano superior, Cristo e os apóstolos distribuem-se frontalmente ao redor da mesa, estruturados em sequência horizontal. Não há perspectiva renascentista nem hierarquia espacial tradicional; a cena é apresentada como campo contínuo, no qual cada figura participa da composição de forma equivalente. A repetição das silhuetas, com variações sutis de vestimenta e gesto, estabelece ritmo visual e reforça a ideia de coletividade.
A mesa é representada como superfície ampla e ornamentada, repleta de elementos simbólicos e alimentos estilizados. O fundo vermelho intenso elimina profundidade ilusória e transforma o espaço em plano pictórico autônomo, intensificando a leitura gráfica da cena.
No campo inferior, a narrativa se amplia. Figuras adicionais distribuem-se em múltiplas ações, algumas portando escudos circulares com referências cromáticas que evocam identidade e pertencimento. Essa camada inferior não funciona como simples complemento; ela desloca o episódio bíblico para uma dimensão mais ampla de ritual comunitário, aproximando o acontecimento sagrado da vivência popular.
A paleta cromática — dominada por vermelhos saturados, amarelos vibrantes e verdes densos — reforça o caráter simbólico e expressivo da cena. As figuras, delineadas por contornos marcados e preenchimentos planos, reafirmam a matriz formal da arte popular, enquanto a repetição estrutural revela organização compositiva consistente.
Mais do que representação literal da Última Ceia, a obra opera como síntese cultural: o episódio cristão é absorvido e reconfigurado dentro de lógica visual popular, em que religiosidade, coletividade e celebração coexistem em um mesmo campo pictórico.
Inserida em tiragem limitada assinada a próprio punho, a gravura condensa maturidade temática e coerência formal, constituindo exemplar significativo da produção gráfica de Poteiro.
Sobre o artista
Antônio Poteiro (1925–2010) consolidou-se como um dos principais nomes da arte popular brasileira no século XX. Nascido em Portugal e radicado em Goiás, construiu trajetória profundamente vinculada ao universo simbólico do Centro-Oeste brasileiro.
Autodidata, iniciou sua produção na cerâmica, experiência que estruturou sua percepção volumétrica e sua organização seriada de figuras. Essa base permanece perceptível em suas pinturas e gravuras, nas quais a repetição modular e a ocupação integral do plano constituem fundamentos estruturais.
Sua obra caracteriza-se por:
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Estruturação horizontal da narrativa
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Reinterpretação de temas religiosos e populares
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Repetição rítmica de figuras humanas
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Uso intenso de cores saturadas e contrastantes
Ao reinterpretar episódios bíblicos sob perspectiva popular, Poteiro transforma narrativa sagrada em manifestação comunitária, reafirmando identidade cultural brasileira.
5 marcos fundamentais
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Início na cerâmica como estrutura formativa de sua linguagem.
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Fixação em Goiás como território simbólico central.
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Consolidação de temas religiosos e coletivos em sua produção.
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Transição para pintura e gravura como ampliação narrativa.
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Reconhecimento institucional e presença em acervos públicos e privados.
2 curiosidades sobre o artista
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A abordagem frontal e horizontal da Santa Ceia rompe com a tradição perspectivada clássica, aproximando a cena da lógica ornamental popular.
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A multiplicação de personagens em diferentes registros amplia o episódio bíblico para dimensão comunitária e contemporânea.
Sobre a Casa da Moldura
A Casa da Moldura Galeria realiza curadoria especializada de obras originais e gravuras assinadas, assegurando autenticidade, procedência e apresentação museológica adequada. Com tradição consolidada em Brasília, dedica-se à preservação material e valorização histórica de cada peça apresentada ao colecionador.
Processo de qualidade
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Verificação de assinatura e numeração da edição.
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Análise técnica do estado de conservação do papel e estabilidade cromática.
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Conferência estrutural antes da disponibilização.
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Avaliação final de integridade da obra.
Processo de embalagem
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Proteção frontal adequada ao suporte em papel.
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Reforço estrutural contra impacto.
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Isolamento contra umidade.
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Acondicionamento rígido para transporte seguro.
Prazo de envio
O envio é realizado após conferência técnica final e preparação logística específica, assegurando estabilidade e segurança durante todo o transporte.