Sobre a obra
Esta gravura assinada de Caciporé de Sá Coutinho da Lamare Torres apresenta composição de extrema síntese formal, estruturada por linhas vermelhas verticais e horizontais que delimitam um campo geométrico aberto, atravessado por um círculo negro central. A aparente simplicidade do desenho revela investigação profunda sobre tensão espacial, equilíbrio e energia contida — princípios que orientam toda a produção escultórica do artista.
As linhas vermelhas, traçadas com gestualidade controlada, funcionam como eixos estruturais que organizam o espaço da folha. Elas não fecham completamente a composição; ao contrário, sugerem continuidade além dos limites do papel, evocando a lógica tridimensional presente nas esculturas metálicas de Caciporé. O círculo preto, levemente irregular, introduz contraponto à rigidez linear, estabelecendo diálogo entre curva e ortogonalidade, entre impulso e contenção.
O uso restrito da cor — vermelho intenso e preto profundo sobre fundo claro — reforça o caráter construtivo da obra. O vermelho atua como força ativa, quase arquitetônica, enquanto o círculo negro concentra peso visual e estabiliza o conjunto. Essa dinâmica remete à linguagem do artista no campo tridimensional, onde aço, ferro e tensões estruturais criam presença física marcante. Aqui, porém, a investigação é traduzida para o plano bidimensional, preservando o vocabulário formal da escultura em suporte gráfico.
Com dimensões de 34,5 x 43,5 cm, a obra equilibra escala íntima e densidade conceitual. A assinatura manual do artista confirma autenticidade e vínculo direto com sua produção autoral. A gravura representa não apenas imagem derivada de uma escultura, mas síntese gráfica de princípios estruturais que atravessam toda sua trajetória.
Sobre o artista
Caciporé de Sá Coutinho da Lamare Torres, nascido em 1932 em Araçatuba (SP), é um dos nomes centrais da escultura abstrata brasileira do pós-guerra. Sua trajetória artística consolidou-se em diálogo com o ambiente cultural paulista e com os debates internacionais da arte moderna, especialmente após experiências de formação na Europa em meados da década de 1950.
A participação na 1ª Bienal de São Paulo e os estudos em História da Arte na Sorbonne ampliaram seu repertório formal e técnico, conduzindo-o a uma produção centrada na matéria industrial. Ferro, aço e ligas metálicas tornaram-se elementos constitutivos de sua linguagem, não apenas como materiais, mas como estrutura conceitual.
Ao longo das décadas, desenvolveu esculturas de forte presença volumétrica, marcadas por cortes, dobras e soldas que evidenciam o processo construtivo. Suas obras foram instaladas em espaços públicos e integradas a acervos institucionais, consolidando reconhecimento crítico e institucional.
Entre os principais marcos de sua carreira destacam-se a consolidação de uma linguagem abstrata própria, a presença em importantes exposições nacionais, a atuação como professor e formador de novas gerações e a inserção de esculturas em ambientes urbanos, ampliando o alcance social de sua produção.
Pouco se comenta que sua investigação bidimensional — como nas gravuras — funciona como extensão direta do pensamento escultórico. Essas obras gráficas não representam apenas formas, mas traduzem princípios estruturais tridimensionais para o plano da superfície. Outro aspecto relevante é sua fidelidade à abstração como campo de energia formal, sem concessões narrativas ou figurativas.
Sobre a Casa da Moldura
A Casa da Moldura atua há mais de três décadas no mercado de arte, estruturando sua curadoria com base em critérios técnicos rigorosos de autenticidade, procedência e preservação. Cada obra é analisada sob perspectiva histórica e documental, assegurando integridade e coerência com o legado do artista.
Processo de qualidade
As gravuras são avaliadas quanto à assinatura, numeração, estado de conservação, qualidade do papel e fidelidade técnica ao projeto original do artista. A montagem é realizada com materiais livres de ácido e técnicas compatíveis com padrões museológicos, garantindo estabilidade estrutural e preservação a longo prazo.
Processo de embalagem
O acondicionamento segue protocolo seguro, com proteção contra impacto, variações de umidade e vibração durante transporte. A integridade do papel, da assinatura e da moldura é preservada por meio de embalagem técnica adequada ao envio de obras de arte.
Prazo de envio
O envio é realizado após conferência final de qualidade e documentação, dentro dos prazos informados no momento da aquisição, com acompanhamento até a entrega ao destinatário.