Sobre a obra
Esta gravura assinada de Antônio Poteiro, apresentada como quadro pronto nas dimensões de 73 × 83 cm e pertencente à edição numerada 89/120, evidencia uma das operações formais mais recorrentes de sua trajetória: a organização da coletividade por meio de sistemas rítmicos e estruturação horizontal do plano pictórico.
A composição constrói-se em camadas superpostas, nas quais figuras humanas estilizadas distribuem-se em diferentes níveis espaciais, criando sensação de simultaneidade narrativa. As personagens — mulheres de vestes claras e cabelos escuros — surgem frontalmente, com gestos contidos e postura hierática, quase cerimonial. Não há individualização psicológica; o que se impõe é a repetição estruturada da forma humana como módulo compositivo.
Ao fundo, formas radiais e onduladas expandem-se como campos de energia cromática, sugerindo tanto vegetação exuberante quanto estruturas simbólicas de proteção ou manifestação ritual. A repetição dessas estruturas cria ritmo visual contínuo, aproximando a composição de um tecido ornamental que sustenta as figuras.
Na base da obra, aves estilizadas — entre elas pavões de cauda expandida — introduzem elemento simbólico recorrente na arte popular brasileira. As aves não funcionam como simples adorno; participam da construção narrativa e ampliam a dimensão ritualística da cena. A presença do pavão, com sua cauda aberta e padrão repetitivo, reforça o caráter ornamental estruturado que atravessa toda a composição.
A paleta cromática é marcada por contrastes entre verdes profundos, azuis densos e vermelhos pontuais, criando tensão entre fundo e figura. O uso da repetição formal e da simetria parcial revela maturidade compositiva, evidenciando que, embora vinculado à arte popular, Poteiro opera com rigor estrutural consistente.
Inserida em tiragem limitada assinada a próprio punho, a gravura sintetiza a capacidade do artista de transformar narrativas coletivas e elementos simbólicos em sistema visual organizado, mantendo coerência temática e identidade formal sólida.
Sobre o artista
Antônio Poteiro (1925–2010) ocupa posição consolidada na arte popular brasileira do século XX. Nascido em Portugal e radicado em Goiás, construiu produção profundamente vinculada ao universo simbólico do Centro-Oeste brasileiro.
Autodidata, iniciou sua trajetória na cerâmica, linguagem que estruturou sua compreensão volumétrica das figuras humanas e sua organização das massas no espaço. Essa experiência tridimensional permanece perceptível mesmo em suas gravuras, nas quais as figuras apresentam densidade e ocupação integral do plano.
Sua produção caracteriza-se por:
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Estruturação horizontal da narrativa
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Repetição modular de figuras humanas
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Presença de elementos simbólicos (aves, rituais, coletividade)
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Ocupação total do campo pictórico
Ao transformar experiências comunitárias em sistemas visuais organizados, Poteiro ultrapassa o registro meramente folclórico e insere sua obra em debate mais amplo sobre memória social, identidade cultural e construção coletiva da experiência.
5 marcos fundamentais
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Início na cerâmica como base estrutural de sua linguagem visual.
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Fixação em Goiás, território simbólico central de sua produção.
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Transição para pintura e gravura como ampliação narrativa.
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Consolidação da temática da coletividade como eixo compositivo.
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Reconhecimento institucional e presença consistente em coleções públicas e privadas.
2 curiosidades sobre o artista
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A organização seriada de figuras em suas composições dialoga com sua experiência inicial na modelagem em barro.
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A presença recorrente de aves em sua obra associa-se simbolicamente à ideia de comunidade, proteção e observação coletiva.
Sobre a Casa da Moldura
A Casa da Moldura Galeria realiza curadoria especializada de obras originais e gravuras assinadas, assegurando autenticidade, procedência e apresentação museológica adequada. Com tradição consolidada em Brasília, dedica-se à preservação material e à valorização histórica de cada peça apresentada ao colecionador.
Processo de qualidade
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Verificação de assinatura e numeração da edição.
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Análise do estado de conservação do papel e estabilidade cromática.
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Montagem com materiais apropriados para preservação de longo prazo.
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Conferência estrutural da moldura e acabamento final.
Processo de embalagem
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Proteção frontal integral.
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Reforço estrutural contra impactos.
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Isolamento contra umidade.
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Acondicionamento rígido para transporte seguro.
Prazo de envio
Por tratar-se de quadro pronto, o envio ocorre após conferência curatorial e preparação logística específica, assegurando integridade da obra durante todo o transporte.